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ELEIÇÕES 2026 – Planos de Governo

Estamos a poucos dias do primeiro turno das eleições 2026, e o que sabemos até agora sobre o programa de governo dos candidatos? Muito pouco.

Não é que a informação não esteja disponível, e até tenha ganho algum espaço na mídia, mas as propostas ficam ofuscadas em meio a enxurrada de notícias falsas, acusações de corrupção, ataques pessoais etc.

Estamos longe do cenário ideal, que seria o debate político de alta qualidade sobre os planos apresentados. Mas é importante termos uma visão, mesmo que rápida, dos principais pontos propostos, por isso, vamos aqui fazer um breve resumo.

Os planos de governo podem ser divididos em quatro grandes eixos temáticos.

  1. Economia, Responsabilidade Fiscal e Impostos
  2. Segurança Pública e Combate ao Crime
  3. Educação e Saúde
  4. Estrutura do Estado e Reformas Políticas

A seguir estão relacionados os pensamentos dos candidatos sobre cada um desses eixos.

  1. Economia, Responsabilidade Fiscal e Impostos

Podemos afirmar que esse tema demarca o território ideológico que diferencia cada candidato:

  • Lula (PT): Defende a manutenção do arcabouço fiscal de forma maleável (para permitir o crescimento real de gastos atrelado à arrecadação). Mira a reindustrialização do país, a transição ecológica, os investimentos públicos e o aumento da tributação sobre grandes rendas, seguindo a diretriz de colocar o pobre no orçamento e o rico no imposto de renda.
  • Flávio Bolsonaro (PL): Segundo o seu plano será realizado corte severo de despesas administrativas e a extinção de pelo menos 10 ministérios. O plano foca na revisão de alguns pontos da Reforma Tributária em curso, para reduzir a alíquota do IVA, e assim diminuir a pressão tributária sobre a produção. Outro ponto importante é a privatização de empresas estatais atuantes em áreas consideradas não essenciais para o governo federal.
  • Romeu Zema (Novo): Defende a privatização total das gigantes públicas como a Petrobras, Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil. Seu plano é direcionado para a eliminação do chamado “Custo Brasil, e para isso, estabelece um prazo de 4 anos. Também volta sua atenção para os supersalários do serviço público com a intenção de reduzi-los. Cita ainda a execução de uma ampla abertura comercial.
  • Ronaldo Caiado (PSD): Também direciona suas propostas fiscais tendo em vista a redução do “Custo Brasil”. O agronegócio ocupa lugar de destaque em seu plano além do incentivo à exploração de minerais críticos e terras raras. Propõe a substituição das políticas assistencialistas do governo por estímulos de mercado.
  • Renan Santos (Missão) & Augusto Cury (Avante): Enquanto Renan Santos propõe uma PEC de Equilíbrio Fiscal que elimine os reajustes automáticos vinculados ao salário-mínimo, e defende uma transição para um modelo de Previdência Social por capitalização diferente do modelo de repartição simples atual, Augusto Cury por sua vez apresenta uma proposta de déficit zero, onde as despesas estariam limitadas às receitas governamentais, ou seja, gastar apenas o que arrecadar. O seu plano também incluí medidas de combate sistemático à intoxicação digital, considerada por ele como uma síndrome mental e emocional causada pela hiperexposição as telas (smartphones, redes sociais, etc…).
  1. Segurança Pública e Combate ao Crime

Todos os planos convergem quanto à necessidade de asfixiar financeiramente as facções criminosas, as estratégias, por sua vez, variam em nível de intervenção do Estado:

  • O plano Lula está fundamentado em uma diretriz central para a segurança pública e o crime, que é a coordenação federativa integrada. Propõe entre outras medidas a criação do ministério da segurança pública e o fortalecimento do SUSP – sistema Único de Segurança Pública.
  • Modelos de Linha Dura: Ronaldo Caiado promove o “Modelo Goiás”, que tem como característica a tolerância zero contra facções criminosas e milícias, além do controle total do território pelo estado. Esse modelo enquadra as facções sob a ótica de organizações narcoterroristas. Flávio Bolsonaro e Renan Santos trazem visões que endurecem o isolamento de criminosos e mecanismos do chamado Direito Penal do Inimigo, ou seja, inimigos são pessoas que rejeitam o pacto social de forma permanente, em virtude de suas ações criminosas reiteradas, e, portanto, deixam de ser passíveis de reintegração social.
  • Segurança com Tecnologia: Os planos apresentam o uso da tecnologia como ferramenta essencial para a segurança pública. Lula defende a soberania digital e a inteligência financeira. Uso da IA e da big data para combater os crimes cibernéticos e de ódio. Uso ostensivo de satélites drones e radares no patrulhamento das fronteiras brasileiras, além da utilização padronizada das câmeras corporais pelas polícias estaduais. O Flávio Bolsonaro tem como diretriz a vigilância massiva e o uso da tecnologia militar para criação da “muralha brasileira”. Defende a utilização integrada do sistema nacional de fronteiras em conjunto com a tecnologia militar de ponta. É contra a utilização de câmeras corporais pelas polícias. O plano do Renan Santos foca na segurança prisional e no monitoramento urbano. Propõe a utilização de dados genéticos em associação ao reconhecimento facial para a elucidação rápida dos crimes de rua. Augusto Cury tem como diretriz a prevenção geral e a coleta de evidências através da implementação de totens de denúncia distribuídos em pontos estratégicos das cidades, e o uso ostensivo de IA e câmeras de monitoramento urbano. Já Romeu Zema propõe como diretriz a integração de inteligência regional, com foco na desregulamentação e na atração de investimentos da iniciativa privada. Ronaldo Caiado, estrutura a utilização da tecnologia na segurança pública a partir da diretriz de rastreamento macroeconômico e da fiscalização territorial estratégica. O programa “IA Sentinela” utiliza os bancos de dados integrados do COAF, da Receita Federal, do CVM e do setor de inteligência da Polícia Federal, para realizar análises e emitir alertas automáticos de riscos.
  1. Educação e Saúde

É possível visualizar pontos de consenso nesses dois temas, como a universalização do ensino em tempo integral e a digitalização do SUS.

Divergem, no entanto, na execução pedagógica e na gestão:

Educação, Lula (PT): Foco na expansão e manutenção da rede de Institutos Federais (IF) nas periferias e interior; valorização dos profissionais da educação. Saúde: Entre os objetivos está a expansão do telessaúde em áreas indígenas/ribeirinhas. Também foca na redução de filas de cirurgia.

Educação, Flávio Bolsonaro (PL): Adoção do método fônico de alfabetização. (a criança aprende primeiro a isolar e pronunciar o som de cada letra, para em seguida juntar os sons e formar as palavras) Propõe o fomento às escolas cívico-militares. Saúde: Defende o prontuário eletrônico nacional integrado e parcerias privadas.

Educação, Romeu Zema (Novo): Seu plano transfere o Ensino Superior para o Ministério da Ciência e Tecnologia, e o MEC passa a cuidar da educação básica. Saúde: A telemedicina será usada para suprir a falta de médicos especialistas no interior.

Educação, Renan Santos (Missão): Propõe a fusão dos ministérios da Educação e Cultura; concentra as verbas de cursos de bacharelado tradicionais para as áreas de STEM. Ou seja, Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática. Saúde: Propõe utilizar a IA para gerir a triagem do SUS, em uma regulação nacional de saúde.

Educação, Augusto Cury (Avante): Apresenta um projeto de Gestão da Emoção e prevenção de ansiedade nas escolas, incluído como disciplina obrigatória. Saúde: Propõe implementar pontos públicos de acesso digital assistido nas Unidades Básicas de Saúde (UBS).

Educação, Ronaldo Caiado (PSD): Dentre as suas propostas para a educação, estão o pacto nacional para a alfabetização, o foco na disciplina Matemática no ensino fundamental, implantação universal de fibra ótica e acesso 5g nas escolas e vinculação dos benefícios sociais ao atendimento dos critérios educacionais e de cuidado infantil. Saúde: Propõe a criação de um prontuário eletrônico nacional, e alterar a ordenação da regulação do SUS, para adotar o critério de gravidade, nas filas de atendimento. Utilizar a IA para agilizar os diagnósticos médicos. Estabelecer prazos mais curtos para diagnóstico e início do tratamento de câncer.

  1. Estrutura do Estado e Reformas Políticas

Principais propostas sobre o tamanho e o funcionamento do Estado brasileiro:

  • O plano de Lula prevê a criação de uma mesa nacional de negociação permanente que irá priorizar a negociação coletiva das carreiras. Ampliação da política de cotas para ingresso na administração pública.
  • Flavio Bolsonaro apresenta um plano para cortes drásticos na máquina pública federal, redução de ministérios e eliminação de cargos comissionados. Prevê também a digitalização de 100% dos serviços públicos ao cidadão e com isso reduzir a burocracia.
  • O plano de Renan Santos propõe a fusão de municípios considerados financeiramente inviáveis, reduzindo o total das mais de 5.500 cidades do país para cerca de 1.600.
  • Os programas de Flávio Bolsonaro e Ronaldo Caiado defendem formalmente o fim do mecanismo de reeleição para cargos do Executivo no Brasil, a partir do próximo ciclo.
  • Romeu Zema apresenta propostas de alterações na estrutura do funcionalismo, defende o fim da estabilidade ampla para os novos servidores públicos e a implementação de sistemas de avaliação de desempenho em formato 360°.
  • Augusto Cury, propõe um modelo centrado na introdução de avaliações permanentes e cumprimento estrito de metas pelo funcionalismo.
  • Outros tópicos que perpassam todos os planos dos candidatos de oposição são a reforma do judiciário e supremo tribunal federal, o teto salarial e o controle dos supersalários. Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado e Augusto Cury, defendem a implementação de mandatos fixos por tempo determinado para os ministros do STF e a limitação de decisões monocráticas (individuais) de magistrados que suspendam leis federais. Zema, Flávio Bolsonaro e Caiado, defendem a aplicação rigorosa do teto salarial para os três poderes com a extinção dos “penduricalhos”.

O Voto Consciente

As propostas presentes em cada plano de governo apresentado pelos candidatos, precisam ser analisadas detalhadamente para que sua viabilidade seja comprovada, porém não são, por si só, suficientes para definição do voto do eleitor. É necessário também, avaliar a trajetória política de cada um dos pleiteantes, credibilidade, honestidade e coerência entre o discurso político e sua ação cidadã.

O eleitorado brasileiro está em processo de maturação contínua, e precisa ainda, superar alguns obstáculos, como o voto personalista, no “salvador da pátria”, e a tendência de não checar os fatos quando recebe informações via canais duvidosos, sem referências de fontes auditadas. Apesar disso, temos as eleições mais transparentes e seguras entre as democracias do planeta, e um povo ávido por justiça social.

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