O Brasil continua no caminho da alta destruição moral e intelectual.
O povo continua avaliando que a nossa necessidade é que alguém ou algum gênio, invente uma fórmula milagrosa para conseguirmos sair do terrível caos em que nos encontramos, que invente uma filosofia de vida e uma nova visão do mundo que seja mais plausível, e que permita a cada indivíduo, através dela, sentir que o país como um todo e, sua própria vida em particular tem uma real possibilidade de sair do buraco, criando condições mais humanas de sobrevivência. Todavia, este alguém, ou este gênio, como a história tem demonstrado, repetidamente, não é suficiente.
Não precisamos de um “SALVADOR DA PÁTRIA”. O nosso próprio comportamento traduz um consentimento tácito, tal como quem se hipnotiza e concorda em ser hipnotizado, pela possibilidade de enriquecimento fácil, de participação (mesmo fictícia) do poder.
Enquanto apenas falarmos e defendermos a legalidade dos atos, ao invés de praticarmos, estaremos legando às gerações futuras, um futuro de falsa moral, com perspectivas catastróficas para o Brasil dos anos dois mil, porque a legalidade é defendida no bojo das conveniências políticas e mesmo assim, quando ocorre, normalmente utiliza-se de atos e fatos ilegais, criando-se um círculo vicioso, não sabendo onde começa e onde termina.
As leis existem para regulamentar o comportamento do ser humano em relação ao semelhante, de forma uníssona, equiparando-se a um jogo de baralho; no início, misturamos todas as cartas ficando em grande desordem, ( é como se encontram as “coisas” em nosso País ) mas a intenção do jogo é voltar a ordenar as cartas e acabar com essa desordem. Aquele que fizer melhor, será o vencedor, entretanto, a maioria dos brasileiros determinam o contrário. Ou seja, o vencedor será aquele que não conseguir ordenar as cartas. Aqueles que burlam as leis… Aqueles que levam vantagem… Aqueles que usam o poder em causa própria…
Um dia, de qualquer modo, veremos os homens cumprir as leis, seja como for, só não é possível que continuemos adormecidos pelo torpor de um procedimento altamente discriminatório, onde as elites de falsa moral, mantenham as leis apenas para subjugar a maioria dos seus semelhantes, que vivem praticamente na miséria. Todavia, isso não deve ser confundido com as nossas idéias habituais na prática de magnanimidade, que é o esforço para nos identificarmos com outros e suas necessidades, embora ainda sob a forte ilusão de não sermos mais do que um ego dentro de uma pele.
O problema atual do povo brasileiro existe porque o regime de força implantado no País, por mais de vinte anos, contribuiu de forma decisiva para criar uma geração de alienados ou prepotentes, onde o poder do mais forte é superior às leis. Quem estava com o poder ou apenas rezava pelo seu catecismo, podia tudo, e os que pensavam de forma diferente não podiam nada, nem o mais elementar direito, a vida. O resultado é este, um País onde os valores morais estão na lata do lixo e as leis existem simplesmente para defender os poderosos e execrar os miseráveis.
(Carlos Antônio de Lima, 1985)


