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Moraes, Vorcaro, Mendonça, Fachin, Gonet: relembre os principais personagens da crise Master do STF

STF divulga rito da sessão sobre Moraes desta terça-feira (15)
O Supremo Tribunal Federal (STF) realiza nesta terça-feira (15), a partir das 10h, uma sessão plenária em um dos momentos de maior tensão institucional da história.
O julgamento avaliará a validade do relatório da Polícia Federal originado a pedido do ministro André Mendonça, que reuniu mensagens e conexões entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Master, e o ministro Alexandre de Moraes.
O caso deflagrou um embate direto entre magistrados, questionamentos sobre conduta funcional e disputas pelo acesso a provas.
Veja nesta reportagem quem são os personagens centrais e os papéis desempenhados por cada autoridade na crise Master do STF
Luiz Silveira/STF
Alvo central do relatório da Polícia Federal tornado público no início de setembro, Moraes foi destinatário de uma série de mensagens de Daniel Vorcaro extraídas do celular do ex-banqueiro.
De acordo com os relatórios policiais e perícias citadas no processo, o ex-banqueiro manteve contato assíduo com o ministro às vésperas de sua prisão, solicitando apoio e questionando sobre possíveis ações e operações policiais contra o Master.
A PF também identificou metadados que apontam edições feitas pelo ministro em um contrato de prestação de serviços advocatícios de R$ 130 milhões firmado entre empresas de Vorcaro e o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do magistrado.
Moraes acusa André Mendonça, que relatou apuração da PF sobre as conversas de Vorcaro, de conduta seletiva e direcionamento na divulgação das informações.
Daniel Vorcaro
Divulgação
Ex-banqueiro, Vorcaro foi preso pela Polícia Federal em novembro de 2025 no Aeroporto Internacional de Guarulhos enquanto se preparava para embarcar em um voo particular para o exterior.
É apontado como articulador de um suposto esquema de emissão e comercialização de carteiras e títulos de crédito fraudulentos vendidos a entidades públicas, incluindo o Banco de Brasília (BRB), em rombo estimado em bilhões de reais.
A apreensão e a extração do conteúdo de seu aparelho celular alimentaram os inquéritos da Operação Compliance Zero e expuseram uma ampla rede de relações políticas e jurídicas.
André Mendonça
Antonio Augusto/STF
Relator do inquérito do Banco Master no STF desde que o caso saiu das mãos de Dias Toffoli, Mendonça determinou a confecção e retirou o sigilo do relatório específico da PF que apontava a proximidade entre Vorcaro e Moraes.
O ministro sustentou que agiu estritamente dentro de suas atribuições legais e de prudência com a causa.
Durante o ápice das tensões, acusou a Polícia Federal de monitorar integrantes da Corte e chegou a expedir ordem de afastamento da cúpula da corporação.
Resistiu ao compartilhamento indiscriminado dos arquivos do celular de Vorcaro sob o argumento de risco de tumulto ao processo e prejuízo a apurações em andamento.
Edson Fachin
Decisões de Edson Fachin foram notícia na imprensa internacional
Getty Images via BBC
Presidente do Supremo Tribunal Federal, Fachin assumiu o papel de moderador para tentar estancar o confronto aberto entre alas do tribunal.
O presidente assumiu procedimentos, suspendeu decisões individuais conflitantes e convocou a sessão plenária desta terça, para que o colegiado decida coletivamente os rumos da questão envolvendo Moraes e os demais ministros.
Fachin negou o pedido de julgamento conjunto de procedimentos, e marcou a análise de questionamentos de Moraes à conduta de Mendonça para o final de setembro.
O presidente do STF tem defendido rigor e respeito à institucionalidade da Suprema Corte.
Paulo Gonet
Procurador-geral da República, Paulo Gonet
Reprodução
Procurador-Geral da República, Gonet se manifestou pela anulação e arquivamento do relatório policial que colocou Moraes sob foco, argumentando que a apuração foi instaurada com falhas formais, por determinação direta do relator e sem a provocação do titular da ação penal, o Ministério Público Federal.
O próprio procurador-geral, no entanto, viu sua atuação ser questionada por delegados e partidos de oposição após o surgimento de mensagens no material de Vorcaro que citavam intermediações e conversas envolvendo seu nome.
Outros atores e suas participações
Andrei Rodrigues, diretor-geral do PF, em CPI no Senado
Andressa Anholete/Agência Senado
Andrei Rodrigues: diretor-geral da Polícia Federal, esteve à frente da deflagração da Compliance Zero e da prisão de Vorcaro. Passou a ser motivo de tensão direta quando o ministro André Mendonça ordenou seu afastamento por suspeita de monitoramento de autoridades, medida revertida logo em seguida na própria Corte. A corporação sob seu comando organizou o armazenamento do aparelho celular de Vorcaro e executou a remessa de cópias integrais aos gabinetes que o solicitaram.
Ministro Dias Toffoli
Victor Piemonte/STF
Dias Toffoli: foi o primeiro relator dos inquéritos envolvendo o Banco Master e a Operação Compliance Zero na Suprema Corte. Deixou a relatoria dos processos no início de 2026, após questionamentos sobre um resort no Paraná; e investimentos e operações vinculados a fundos associados ao grupo financeiro de Vorcaro, o que ensejou a redistribuição do caso para André Mendonça.
Flávio Dino em sessão da Primeira Turma do STF
Luiz Silveira/STF
Flávio Dino: atuou como relator do recurso que cassou a decisão de André Mendonça que afastava o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, reconduzindo a chefia da corporação ao cargo. Também conduz desdobramentos conexos que apuram repasses financeiros de Vorcaro e verbas parlamentares aplicados no filme “Dark Horse”, a cinebiografia de Jair Bolsonaro.
Ministro Cristiano Zanin em sessão da Primeira Turma do STF.
Antonio Augusto/STF
Cristiano Zanin: exigiu a entrega de cópia integral do espelhamento do telefone de Vorcaro pela PF até o limite da véspera do julgamento, pontuando que não há hierarquia entre ministros do tribunal e que o colegiado não pode julgar sem pleno conhecimento de todos os elementos.
Gilmar Mendes em Sessão da Segunda Turma do STF
Luiz Silveira/STF
Gilmar Mendes: alinhou-se formalmente à exigência de acesso irrestrito ao acervo digital do ex-banqueiro, reiterando que a integralidade dos arquivos deve estar liberada aos julgadores antes de qualquer deliberação definitiva, além de defender a manutenção de critérios estritos sobre levantamento ou preservação de sigilo.
Ministros do STF Alexandre de Moraes, André Mendonça, Cristiano Zanin e Edson Fachin
Reprodução

Notícia original publicada em: g1 > Política

 

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