Já faz alguns anos que nossa vida cotidiana está perpassada pelas notícias de guerras, genocídios e intolerância.
Em 2023 a BBC Brasil publicou uma matéria sobre as grandes guerras em curso no mundo e o porquê algumas tinham mais visibilidade do que outras Um dos motivos seria a possibilidade de a guerra atrair grandes potências inclusive com poderes nucleares.
Em 2024 na conferência internacional da cruz Vermelha e do crescente vermelho, instituições de ajuda humanitária que atuam dentro dos cenários de conflitos em todo o planeta, a Presidente da cruz vermelha, Mirjana Spoljaric, afirmou que existiam naquele momento pelo menos 120 conflitos armados ativos no mundo causa do sofrimento de milhões de pessoas, expostas ao deslocamento forçado de suas pátrias, a fome e a doenças.
Siri Aas Rustad, Diretora de Pesquisa da ONG PRIO (Peace Research Institute Oslo), utilizou os dados do UCDP, Programa de Dados sobre Conflitos da universidade de Upsala, na Suécia, para contabilizar 245.000 mil mortes de pessoas em combates, em 2025, sendo o terceiro ano mais violento da era pós-guerra fria.
Em 2026, eclodiu a guerra dos Estados Unidos e Israel, contra o Irã, intensificando ainda mais o já existente conflito entre grupos árabes armados apoiados pelo Irã e o estado de Israel.
Estamos presenciando a volta da lei do mais forte, onde as regras de convivência internacionais, são ignoradas em favor das narrativas de segurança nacional, espaço vital e direito divino, um grande retrocesso civilizatório que lança uma enorme sombra de insegurança sobre todo o planeta.
Existem muitos pontos em comum com o cenário da década de 30, inclusive a crise econômica, agravada pelo aumento dos preços do Petróleo, após o bloqueio do estreito de Ormuz pelos Estados Unidos e Irã.
Esse é um cenário do qual os discursos extremistas se favorecem, e ganham força na sua jornada de afirmação de valores e visão de mundo. Imigrantes, eleitos como os principais culpados pela crise que a Europa atravessa, são agredidos nas ruas do continente, e os agressores exigem a expulsão de milhões de pessoas que, em sua grande maioria, buscaram uma melhor condição de vida.
Na Alemanha o partido AFD, de extrema direita, ganha as eleições regionais por uma margem significativa de votos, com o discurso anti-imigrante, negacionismo climático, defesa do ensino domiciliar, todas pautas da extrema direita mundial. As comparações com o partido nazista de Adolf Hitler, são repudiadas pelos integrantes da AFD, mas a semelhança é assustadora.
Aqui, as eleições refletem de certa forma, a polarização existente no exterior, vemos o embate entre lulistas e bolsonaristas, que para além das diferenças ideológicas, reduz o debate a ataques pessoais e acusações de corrupção, em detrimento da realidade brasileira que exige planejamento de longo prazo para enfrentar os desafios impostos pelo caótico cenário mundial. Polarização que gera a violência política e mortes, fruto da perda da capacidade de diálogo.
Em meio a essa tempestade, navegamos, com esperança de dias mais tranquilos, onde as diferentes crenças, e a falta de crença, consigam conviver em paz e passem a valorizar a vida acima de tudo, não apenas na superfície, mas como um princípio moral e ético basilar, profundamente enraizado na cultura humana.
Fontes:
BBC News brasil
UCDP Upsala – Dados de 2025.




